A síndrome do “rei da cocada preta”: por que tantos profissionais se acham donos da verdade
Você já foi atendido por aquele profissional que trata o cliente de cima, que não admite erro, que se acha o dono da verdade?
Eu já. E vou te contar uma história que aconteceu comigo.
Precisava de um orçamento num carro e fui até uma oficina mecânica. Chegando lá, estendi a mão para o proprietário, um homem de meia-idade, aparentemente experiente. Ele virou o rosto, quase nem apertou minha mão. E já chegou reclamando.
“Minha oficina é a melhor da região.”
“Eu sou o melhor mecânico aqui.”
“Não faço esse tipo de serviço simples.”
“Isso aí é coisa de amador.”
Ele falou um monte de coisas, de forma super mal educada, sem nem saber ainda o que eu precisava.
No meio da conversa, chegou um cliente antigo. Ele me largou no balcão, foi atender o outro com um sorriso no rosto, voltou e disse: “Ah, é isso mesmo.”
Eu insisti: “Tudo bem, mas você pode me dar um orçamento?”
Ele respondeu: “Claro, vou te dar”, mas com um tom de quem estava fazendo um favor.
Saí de lá com um aperto no peito. Pensei comigo: “Poxa, será que esse cara é essa cocada preta toda mesmo?”
Dias depois, liguei para ele pedindo o orçamento. E aí veio a surpresa. Ele pediu: “Você pode me mandar um modelo de orçamento?”
O cara, dono da oficina, referência na região, não sabia fazer um orçamento.
Mandei o modelo com educação, sem atacar, sem revidar a grosseria. Disse: “Use no seu tempo, para mim é muito importante. Você é uma referência nesse setor, eu preciso muito do seu serviço.”
Ele fez o orçamento, ficou bonito, bem arrumado. E no processo, baixou um pouco as barreiras. Não virou meu amigo, mas a troca foi menos ácida.
O que está por trás da máscara do “rei da cocada preta”?
A percepção que eu tenho é que por trás dessa postura arrogante, esconde-se uma história de humilhação tão forte na família que a pessoa quer descontar em todo mundo. Ela se torna insegura, chata, grosseira. Essa é a capa, a armadura que ela encontrou para sobreviver.
Naquele mecânico, eu vi isso. O cara era bom, usava peças originais, tinha clientela fiel, era procurado por seguradoras. Mas precisava sustentar uma imagem de superioridade que chegava ao desrespeito. E no fundo, no fundo, não sabia fazer um orçamento simples.
Tem profissional que é excelente tecnicamente, mas antipático, e ainda assim é contratado. As pessoas falam: “Faz um serviço super legal, mas é super antipático. Releva essa parte.” Isso é possível, mas a que custo?
E tem aqueles que não são nem excelentes. A postura de “rei” é só uma máscara para esconder a falta de preparo, o medo de não ser bom o suficiente, a vergonha de não saber.
A armadura masculina
Tem uma camada extra aí: homens, muitas vezes, não podem mostrar vulnerabilidade. Eles acham que isso é fraqueza. Então vestem essa capa de durões, de donos da verdade, de que não erram.
Mas essa máscara é insustentável. Ela pesa. Ela cansa. Ela afasta.
O que os cavalos mostrariam?
Se esse mecânico, ou qualquer profissional com essa postura, decidisse fazer uma Constelação Sistêmica com Cavalos, eu acredito que os animais mostrariam a ele que não há necessidade de manter essa máscara.
Os cavalos são especialistas em verdade. Eles não se impressionam com pose. Eles leem o que está por trás. Mostrariam a ele o peso que ele carrega, talvez vindo de gerações passadas. Mostrariam o preço que ele paga para sustentar essa farsa.
E numa sessão de Barras de Access, ele poderia relaxar essa armadura, soltar os pensamentos que dizem “você tem que ser o melhor”, “não pode errar”, “cliente é inimigo”. Poderia fazer um reset e perceber que pode ser ele mesmo.
Sendo ele mesmo, ele mudaria o mundo. Atrairia mais pessoas, ou pelo menos evitaria aquelas que não são contribuição para a vida dele. E mais: os auxiliares dele, os funcionários, a família, todos seriam impactados por essa transformação.
O que muda quando a máscara cai?
Quando um profissional larga essa postura de “rei da cocada preta”, ele se torna uma referência de verdade. Não uma referência à força, mas por consequência.
Ele pode ser vulnerável. Pode dizer “não sei” sem vergonha. Pode pedir ajuda. Pode aprender. Pode tratar o cliente como aliado, não como inimigo.
E aí a vida profissional e pessoal se expandem. Porque não tem peso maior do que sustentar uma mentira.
Se você conhece alguém assim, ou se você se reconhece nessa postura, saiba que existe um caminho. As ferramentas estão aí. Os cavalos estão aí. A consciência pode chegar.
E quando ela chega, muda tudo.
Se você deseja viver essa experiência, seja através das Barras de Access, das classes do Access Consciousness ou de um Atendimento Sistêmico com Cavalos, talvez seja o momento de escolher sair da competição e entrar na maturidade.
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E se fizer sentido, agende sua sessão e experimente por você mesmo.
